‘Meu mundo caiu’: Jovem de SC detalha denúncia de estupro contra empresário de Jurerê

 ‘Meu mundo caiu’: Jovem de SC detalha denúncia de estupro contra empresário de Jurerê

Confira a matéria feita pelo Portal G1

A jovem do Oeste catarinense que teria sido dopada e estuprada por um empresário e advogado de 48 anos, morador de Jurerê, em Florianópolis, contou que desenvolveu depressão e que precisou se mudar da cidade após o crime, em 2019.

A vítima, que não quer ser identificada, tinha 20 anos na época. André Luis Galle Dal Pra, suspeito de cometer o abuso, está preso desde junho deste ano.

O advogado Osvaldo Dunke, que faz a defesa do empresário, disse ao G1 que o caso está em segredo de justiça e, por isso, não vai comentar sobre o processo. “Informamos que, por respeito ao Judiciário, apenas nos manifestaremos nos autos, mas que em breve ficará comprovado que os fatos narrados são inverídicos e que será demonstrada a inocência do acusado”, declarou.

À reportagem, a mulher contou que conheceu o homem em um aplicativo de relacionamento, quando ela ainda morava em Florianópolis. Após dias de conversa, André teria a convidado para jantar na casa dele. Como os dois estavam se conhecendo, aceitou o convite.

“Ele falou que ia cozinhar. Cheguei na casa dele e começamos a tomar um vinho, enquanto ele cozinhava. Foi nesse período, durante a conversa, que eu comecei a sentir algumas coisas estranhas. Eu olhei a taça e percebi como se fosse algumas sujeirinhas, mas na minha cabeça, nunca imaginei que fosse outra coisa”, relata.

Após tomar a bebida, ela conta que começou a sentir calor, tontura e a boca seca. A última coisa que lembra daquela noite é de sentar na mesa, iniciar o jantar e continuar a conversa com o homem.

“Eu comecei a sentir essas sensações, pedi água. Me senti mal, estranha, nunca na minha vida usei qualquer tipo de droga, não sei qual a sensação. Eu fiquei bem perturbada. O que eu lembro é de iniciarmos o jantar e, em determinado momento, as coisas começam a ficar bagunçadas. Eu não lembro sequer se eu terminei o jantar”, afirma.

‘Meu mundo caiu’

A vítima relata que lembra de acordar no quarto do homem por volta das 6h do dia seguinte, sem saber o que tinha acontecido. Em desespero, ela questionou o empresário sobre a noite anterior.

“Ele olhou para mim e disse que tínhamos aproveitado a noite, que eu tinha levado drogas, tinha insistido. Quando ele falou isso, eu fiquei mais desesperada e pensei: ‘O que esse cara fez?’. Nunca tive contato com droga. Quando ele falou isso, meu mundo caiu”, desabafa.

A jovem diz que, então, levantou e começou a recolher suas coisas para ir embora. No caminho, o suspeito teria enviado vídeos que mostravam o rosto dela em um ato sexual.

“Eu fiquei ainda mais desesperada, porque eu não imaginava, não tinha noção do que estava acontecendo. Eu precisava chegar em casa, precisava ir para o hospital”, complementa.

A mulher foi até uma unidade saúde e, no mesmo dia, registrou um boletim de ocorrência sobre o caso, que foi investigado pela Polícia Civil. Dal Pra é suspeito de praticar crimes de estupro de vulnerável (já que a vítima estava dopada), além de registrar e compartilhar imagens do ato sexual sem o consentimento da jovem.

Segundo o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), ele teria colocado um comprimido de MDA em uma taça de vinho e servido à vítima. Depois, a estuprou e divulgou imagens da prática sexual.

Por conta do abuso, a jovem desenvolveu depressão e ansiedade. Ela também precisou mudar de cidade devido aos julgamentos por conta do ocorrido.

“É um trauma que você não consegue esquecer. Durante um período, não conseguia ter relação com ninguém. Fiquei durante um tempo assim, mas a dor que eu sentia diminuía, mas as lembranças… Para mim não é muito fácil ter que relembrar isso, sem saber se vai ter justiça ou não”, comenta.

O caso segue em segredo de justiça. De acordo com a advogada da vítima, Bruna dos Anjos, a previsão é de que as audiências de instrução e julgamento sejam retomadas em 1º de setembro.

O trauma

Durante dias a jovem teve que fazer uso de medicamentos recomendados para vítimas de estupro. “Toda a vez que eu tomava aquele medicamento, eu lembrava de tudo. É um trauma que você não consegue esquecer”, diz.

Dal Pra foi preso preventivamente em 23 de junho, em um hotel em São Paulo. O pedido de prisão foi feito pelo MPSC porque havia a suspeita de que ele estaria tentando coagir uma das testemunhas a confirmar a versão dele dos fatos.

“Como se observa da análise das conversas extraídas e documentadas em ata notarial, o réu se julga ‘acima do bem e do mal’, ignorando a ação da Justiça buscando ‘manipular’ e coagir testemunhas, ao indicar o que poderia ser perguntado durante a instrução criminal, objetivando, obviamente, montar uma estratégia de defesa, visando alterar a verdade sobre os fatos”, disse o promotor Affonso Ghizzo Neto nos autos do processo.

Denúncia

De acordo com o MPSC, os crimes ocorreram em 14 de novembro de 2019, entre 22h30 e às 6h do dia seguinte, em Jurerê. Além de dopar e estuprar a vítima, o empresário filmou e fotografou os atos sexuais ilegais com um celular.

Para atrair a mulher, segundo a denúncia, ele a convidou para um jantar na casa dele e ofereceu uma taça de vinho a ela com a droga. Após beber, a vítima sentiu um mal-estar, calor, boca seca e desorientação. Ela também não se lembra do que aconteceu depois, apenas em flashes.

Ainda conforme a denúncia, o estupro, a droga colocada na bebida dada à vítima e a filmagem foram comprovados em laudos periciais.

Ao acatar pedido de prisão do MPSC, o juiz Rafael Brünning disse que identificou, ainda, boletins de ocorrência que relatam episódios de perseguição e ameaça do empresário à ex-esposa. Ele também teria ameaçado por meios virtuais, inclusive de morte, a babá das filhas do ex-casal e o atual namorado da ex-companheira.

Fonte: G1

Foto: Divulgação

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