Julgamento de incêndio no Ninho do Urubu tem apelo por justiça em SC
Nacional – Quatro anos e meio após o incêndio no Ninho do Urubu, a Justiça do Rio de Janeiro começou o julgamento dos investigados no caso. O incidente no centro de treinamentos do Flamengo ocorreu em 8 de fevereiro de 2019 e deixou 10 atletas da categoria de base mortos. Entre as vítimas estavam dois catarinenses: o jovem Bernardo Pisetta, de 14 anos, de Indaial, e Vitor Isaías, de 15 anos, de São José, na Grande Florianópolis.
A primeira audiência de instrução e julgamento do caso ocorreu na tarde de sexta-feira (18). Neste primeiro dia foram ouvidas as testemunhas de defesa. Oito réus respondem pela tragédia que provou a morte dos jovens, todos com idade entre 14 e 16 anos.
O pai de Bernardo, Darlei Pisetta, disse que as famílias esperam pela responsabilização dos envolvidos e que as pessoas identificadas como responsáveis pelo incêndio sejam punidas.
— Que bom que está acontecendo, e que se faça justiça o mais rápido possível. Não podemos deixar um acidente desses impune. As famílias não têm como julgar ninguém, isso cabe à Justiça, mas que alguém seja responsabilizado e que algumas coisas mudem, em relação à forma como as crianças são tratadas e alojadas nos clubes. Não tem como voltar atrás, mas então que isso sirva de exemplo, para evitar que outras famílias passem por essa dor — afirma.
Quem são os réus
Os réus respondem por incêndio culposo qualificado por morte e lesão grave. Na lista de acusados está o ex-presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, o ex-diretor financeiro do clube carioca, Márcio Garotti, o engenheiro Marcelo Sá, o técnico em refrigeração Edson Colman da Silva, além de Claudia Pereira Rodrigues, Weslley Gimenes Danilo da Silva Duarte e Fabio Hilário da Silva, da NHJ, empresa que forneceu os contêineres usados no alojamento.
A denúncia do Ministério Público envolveu 11 pessoas e foi apresentada em 2021, mas posteriormente o juiz responsável pelo caso rejeitou as acusações contra o ex-diretor de base Carlos Noval e o engenheiro Luiz Felipe Pondé. O monitor Marcus Vinícius Medeiros acabou absolvido, segundo informações.
De acordo com o Ministério Público, o incêndio teria ocorrido por conta de irregularidades como, desobediência a sanções administrativas do poder público por descumprimento de normas técnicas, ocultação das reais condições das construções na fiscalização do Corpo de Bombeiros e a contratação e a instalação de contêiner em discordância com regras técnicas de engenharia e arquitetura, para servirem de dormitório aos adolescentes.
As vítimas do incêndio no Ninho do Urubu
Athila Paixão, de 14 anos
Arthur Vinícius de Barros Silva Freitas, 14 anos
Bernardo Pisetta, 14 anos
Christian Esmério, 15 anos
Gedson Santos, 14 anos
Jorge Eduardo Santos, 15 anos
Pablo Henrique da Silva Matos, 14 anos
Rykelmo de Souza Vianna, 16 anos
Samuel Thomas Rosa, 15 anos
Vitor Isaías, 15 anos
Fonte: NSC
Foto: Reprodução/TVGlobo




