Post em redes sociais revolta professora
São Bento do Sul – No domingo (15), foi comemorado o dia do Professor. Considerada a profissão das profissões, na atualidade os professores não tem recebido o valor que de fato merecem.
Em São Bento do Sul, na semana que antecedeu o dia do professor, houve um ponto facultativo na sexta-feira (13) devido ao feriado de 12 de outubro. Foi o que bastou, para que alguém se manifestasse nas redes sociais, acusando os professores de serem preguiçosos.
É fato que o poder público precisa buscar uma solução para esses dias, levando em consideração que as empresas e o comércio não param em ponto facultativo.
Abaixo o relato de uma professora que, diante das ofensas nas redes sociais, publicou uma resposta.
Confira a íntegra:
“A Professora Preguiça…
Neste Dia dos Professores, trago uma reflexão sobre o que alguns dos “São Bentansos” pensam sobre as professoras da Educação Infantil: Bicho Preguiça.
As preguiças são animaizinhos bem fofinhos que tem os braços largos para caber muitas crianças que chegam aos CEIM’s, (vale deixar bem claro aqui que não somos CRECHE), às 06h da manhã e voltam para o aconchego do lar com seus queridos pais às 18h, quando estes conseguem chegar no horário para pegar as crianças. Alguns até olham nos olhinhos, abraçam e dão muito carinho para as crianças que estão o dia todo sob os cuidados da ‘dona preguiça’. Quando isso não acontece… A ‘dona preguiça’ fica numa tristeza só vendo um filhotinho indefeso ser ignorado.
A ‘dona preguiça’ trabalha as 40 horas semanais na escola e mais o restante da semana em casa confeccionando material para as crianças, planejando o que não deu certo, sempre pensando no estímulo e desenvolvimento doa alunos e com foco na aprendizagem. Enquanto ainda responde dúvidas dos pais pelo whatsapp fora do horário de trabalho. Pesquisa, junta material, compra, pede ajuda para a família, enfim, uma ‘dona preguiça’ sem preguiça de correr atrás do melhor para as crianças.
A ‘dona preguiça ‘tem muitos aluninhos que às vezes não tem material suficiente na bolsa (fralda, lenço umedecido, pomada, roupa), fica com pena porque a criança está nessa condição e compra lenço, para ter de emergência, fralda, compra roupa em brechó para deixar na sala quando necessário. Vale ressaltar que se não tem matéria prima na empresa, a mesma para a produção e quando isso acontece, nosso trabalho tem que acontecer e sempre damos o melhor para que aconteça com muito zelo, respeito e carinho.
A ‘dona preguiça’ só trabalha 200 dias letivos conforme o calendário escolar! Ah, dona preguiça… podiam ser 365 dias, mas te confesso que se eu não ter responsabilidade com meu filho estarei infligindo a Lei Federal do direito à convivência familiar, onde diz: O direito à convivência familiar e comunitária é tão importante quanto o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito e à liberdade. A nossa constituição diz que a “família é a base da sociedade” (art. 226) e que compete a ela, ao Estado, à sociedade em geral e às comunidades “assegurar à criança e ao adolescente o exercício de seus direitos fundamentais” (art. 227).
Às vezes, a ‘Dona preguiça’ tem parada pedagógica, conselho de classe e formações (todas em concordância com o calendário escolar), para trocar ideias, planejar de forma diferente, proporcionando experiências que as crianças levarão para o resto das vidas.
‘Dona preguiça’ já foi chamada em outras ocasiões de alecrim dourado, mas fica feliz. Sabe porquê? São algumas mentes que pensam dessa forma, infelizmente! Algumas mentes que querem delegar toda a criação dos filhos como forma de assistencialismo, pois não entenderam que o papel da educação infantil, a primeira infância é a base para todo aprendizado. E mesmo tendo pessoas assim, as ‘Professoras Preguiça’ estão cada dia dando o seu melhor, para que tenhamos adultos que valorizem o papel da educação como um todo, afinal, quem aí nunca precisou de um professor para aprender?
E com tudo isso a ‘dona preguiça’ ainda vai para casa atender seu lar, sua família depois do horário e fica pensando se o aluno que foi com febre para casa foi levado ao médico ou os pais negligenciaram o atendimento…
Fica pensando se a criança está se alimentando bem ou só fica na mamadeira o restante do dia…
Fica pensando mil e uma coisas e ainda sobra tempo para tentar se compreender em mais esse personagem que alguns hipócritas que não entendem o papel da educação tentam impor e levantar alardes em jornais delegando toda a responsabilidade da criação dos filhos à Escola: A Professora Preguiça…“
Por: Bruna Cardoso dos Santos Tomanini – Professora de Educação Infantil da rede Municipal de Ensino
Foto: Arquivo Pessoal





