FAMÍLIA ACOLHEDORA: gesto de amor que precisa de reforço
São Bento do Sul – Ainda é preocupante o número de crianças e adolescentes que precisam de um lar temporário para seguir vivendo e buscando estruturar a própria vida. Alguns, por questões relacionadas à desestrutura familiar, são tirados de ambientes tóxicos, por conta de vários fatores como álcool, droga ou violência, e precisam ser abrigados em um lugar seguro.
Com mais de 20 anos de atuação em São Bento do Sul, tendo sido implantado em 2002, o serviço de “Famílias Acolhedoras”, que está vinculado à Secretaria de Assistência Social, visa garantir o bem estar de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. Uma equipe composta de profissionais como pedagogo, assistente social e psicólogo, trabalham para organizar a estrutura para que esses menores tenham abrigo seguro e vivência saudável, enquanto aguardam decisões judiciais, sendo que muitos são direcionados para adoção. Cabe à família acolhedora, como está previsto no ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente, garantir um ambiente e uma vivência saudável ao menor, enquanto os trâmites para definir seu futuro são tratados legalmente.
Alex Schlepka destaca que a prioridade do serviço é garantir o bem estar, mas para isso é necessário trazer mais famílias para o projeto a fim de ter opções de lares para abrigar os menores. “No ano de 2023 tínhamos cerca de 33 mil crianças acolhidas no Brasil, ao passo que apenas 8% destas estavam em Famílias Acolhedoras. Outros países, como os EUA, contavam com 75% desse número de crianças em lares provisórios (F.A)”, disse Alex que coordena o projeto. Segundo ele, existe uma situação cultural que precisa ser mudada. “Precisamos trabalhar mais para despertar nas famílias o interesse em fazer parte desse projeto e oferecer esse gesto de amor”, segue.
Lar provisório
Uma questão muito importante, e que as famílias precisam saber, é que ser “Família Acolhedora” não significa ser uma família adotiva. É um processo temporário que pode variar de uma semana até dois, três anos ou mais. “Não se trata de adoção. Essa é uma outra doação. Família Acolhedora nem pode ter interesse em adotar, ela precisa estar aberta para abrigar essa criança por um período temporário”, pontua Alex.
Quem pode
Para ser Família Acolhedora é necessário ser maior de idade, ter disponibilidade de tempo, como em uma convivência normal. Não pode haver qualquer tipo de vicio em agentes nocivos à saúde, ou seja: não é admitida família com membros dependentes de produtos psicoativos. Além disso, as pessoas não podem ter respondido ou estar respondendo processos criminais. “Existe uma lista de exigências para que a guarda provisória de um menor seja confiado. Hoje temos uma grande dificuldade de conseguir família interessada em acolher adolescentes. Daí entra a necessidade de um abrigo institucional”, acrescenta.
Todas as famílias que têm interesse podem buscar mais informações na secretaria de assistência social, onde poderá ser feito o cadastro. Importante saber que a primeira entrevista para iniciar a preparação para receber os menores, só pode ser realizada com a presença do casal.
Divulgação
Como atualmente o projeto conta com apenas cinco famílias aptas para acolhimento, um trabalho de divulgação mais constante está sendo preparado, com objetivo de despertar interesse e conscientização nas famílias para participar. No próximo dia 12 de fevereiro faremos distribuição de material informativo no Calçadão, no Centro de São Bento do Sul. “Nosso objetivo é preparar famílias, para que tenhamos, pelo menos, dez inscritas e aptas para acolhimento. A demanda hoje exige mais, no entanto precisamos ir com cautela, dando um passo de cada vez no sentido de trazer e fazer com que essas famílias permaneçam no projeto”, encerra Alex.
Equipe
Atualmente quatro profissionais estão diretamente ligados ao serviço de Família Acolhedora em São Bento do Sul. O pedagogo Alex Schlepka, que é o coordenador do projeto, a pedagoga Claudiceia Terres, a psicóloga Mirela Fix e a assistente social Viviane Hinke.
Mais informações sobre como fazer parte do projeto, sobre as datas de eventos preparatórios, basta acessar o whatsApp 3633-7436.
Foto e texto: O Jornaleiro





