Preocupações com a raiva animal
São Bento do Sul – A raiva voltou a acender o sinal de alerta em São Bento do Sul e no Planalto Norte catarinense. Em novembro de 2025, após mais de 20 anos sem registros oficiais no município, um caso positivo da doença em bovino foi confirmado na região de Rio das Pacas, em Sertãozinho, reacendendo a preocupação entre produtores rurais e autoridades sanitárias.
Em entrevista à Rádio São Bento, o médico-veterinário João Alfredo Pereira, da Cidasc, explicou que a raiva é uma doença viral, transmitida pela saliva de animais infectados, sempre fatal em animais e potencialmente letal também para humanos. O vírus está presente em reservatórios silvestres, principalmente morcegos, que eventualmente entram em contato com animais domésticos e com o homem, promovendo a transmissão.
Nos grandes animais, como bovinos e equinos, os sinais mais comuns incluem dificuldade de locomoção, paralisia, o animal permanecer deitado e forte salivação por não conseguir engolir a saliva. Diante de qualquer suspeita, a orientação é notificar imediatamente o serviço veterinário para avaliação e coleta de material, geralmente o cérebro do animal, que é enviado ao laboratório para confirmação do diagnóstico.
Descoberta
No caso positivo recente em São Bento do Sul, uma médica-veterinária que atendeu o animal suspeitou da doença e acionou a Cidasc, que foi até a propriedade, fez a coleta e teve o resultado confirmado para raiva. A partir disso, foram adotados os protocolos oficiais de vigilância e orientação ao produtor.
João Alfredo reforça que a raiva é a mesma doença em animais e em humanos e, em caso de possível exposição de pessoas, é fundamental procurar imediatamente assistência médica e a Vigilância Sanitária para atendimento precoce e prevenção do aparecimento de sintomas. Ele alerta ainda que a população não deve tentar capturar animais silvestres, especialmente morcegos encontrados caídos ou voando de dia, devendo sempre acionar equipes treinadas.
Para os produtores rurais, as principais recomendações são a vacinação de cães, gatos e animais de produção, como bovinos e equinos, contra a raiva, a notificação de qualquer animal com sinais neurológicos suspeitos e a identificação de possíveis abrigos de morcegos na propriedade, como cavernas, bueiros, ocos de árvores e casas abandonadas. O veterinário lembra que nem todo morcego transmite a doença e que apenas uma espécie específica é responsável pela raiva em herbívoros, dentro de um programa oficial de controle. Em caso de dúvidas, a Cidasc se coloca à disposição por meio do escritório local de São Bento do Sul, orientando que a população procure sempre o serviço oficial para informações seguras e detalhadas.
Foto: Luzardo Chaves/O Jornaleiro





