CÃES SOLTOS NAS RUAS: menino atacado em Serra Alta

 CÃES SOLTOS NAS RUAS: menino atacado em Serra Alta

São Bento do Sul – Um menino de 14 anos foi atacado por um cachorro de médio porte na tarde de domingo (8), na rua João Pscheidt, bairro Serra Alta. O animal avançou repentinamente e causou ferimentos significativos no braço esquerdo do adolescente.

Segundo a tia do garoto, apesar do susto e das lesões, ele está com a carteira de vacinação em dia, o que trouxe alívio diante do risco de doenças. “Infelizmente, essa é uma realidade que vivemos aqui no ‘Parque das Hortênsias’ constantemente”, relatou. O menino pode inclusive voltar às aulas na terça-feira (10) pela Rede Municipal

O caso reacende um problema recorrente em diversos bairros do município: cães soltos em vias públicas, colocando pedestres, ciclistas e principalmente crianças em risco.

O QUE DIZ A LEI

Ao contrário do que muitos pensam, a responsabilidade por ataques não é automaticamente do poder público, mas sim do tutor do animal.

O artigo 936 do Código Civil Brasileiro estabelece que: “O dono, ou detentor, do animal ressarcirá o dano por este causado, se não provar culpa da vítima ou força maior”.

Na prática, isso significa que o proprietário deve arcar com todos os prejuízos causados pelo animal, incluindo: Despesas médicas e hospitalares, medicamentos, tratamentos futuros, danos morais, danos estéticos (em caso de cicatrizes) e ainda uma eventual indenização por afastamento do trabalho.

A responsabilidade é considerada objetiva, ou seja, basta comprovar que o animal causou o dano.

Na esfera penal, o artigo 31 da Lei de Contravenções Penais prevê punição para quem: “Deixar em liberdade, confiar à guarda de pessoa inexperiente, ou não guardar com a devida cautela animal perigoso”.

A penalidade pode ser prisão simples ou multa. Se o ataque resultar em lesões graves, o caso pode evoluir para enquadramento no Código Penal. Além disso, leis municipais geralmente proíbem animais soltos em vias públicas, prevendo multas e outras sanções administrativas.

O QUE FAZER EM CASO DE ATAQUE

Especialistas orientam que, em caso de mordida:

  1. Lavar imediatamente o ferimento com água corrente e sabão por vários minutos;
  2. Procurar atendimento médico imediato;
  3. Registrar boletim de ocorrência, se houver identificação do tutor;
  4. Verificar a situação vacinal do animal;
  5. Seguir rigorosamente a orientação médica.

Ferimentos por mordida têm alto risco de infecção e exigem avaliação profissional.

COMO EVITAR ACIDENTES

Embora a responsabilidade seja do tutor, algumas atitudes podem reduzir riscos:

  • Evitar correr ao perceber um cão solto;
  • Não encarar o animal de forma desafiadora;
  • Manter a calma e evitar movimentos bruscos;
  • Usar objetos como mochila ou bicicleta como barreira;
  • Ensinar crianças a não se aproximarem de cães desconhecidos.

Para os proprietários, a orientação é clara:

  • Manter o animal dentro do pátio com cercas seguras;
  • Utilizar guia durante passeios;
  • Garantir vacinação e acompanhamento veterinário;
  • Investir em adestramento e socialização.

Problema coletivo, responsabilidade individual

As reclamações sobre cães soltos vêm de vários bairros de São Bento do Sul. Embora a fiscalização seja papel do poder público, a guarda responsável é dever do tutor.

O ataque ao adolescente no bairro Serra Alta reforça um alerta: animal solto na rua não é apenas descuido, pode gerar ferimentos, trauma e consequências legais. Antes que novos casos ocorram, é fundamental que cada proprietário compreenda sua responsabilidade.

Foto: Divulgação

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O Jornaleiro

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