Queda de braço político sendo apimentado

 Queda de braço político sendo apimentado

Denúncias em série, suspeita de espionagem digital e risco à saúde: bastidores da política expõem crise em São Bento do Sul

São Bento do Sul – Uma sequência de denúncias no Tribunal de Contas do Estado (TCE/SC) colocou a política de São Bento do Sul em ebulição e levou para a corda bamba serviços essenciais da saúde pública. No centro da tormenta está o diretor‑geral da Câmara de Vereadores, Ronnie Zulauf, aliado direto do presidente do Legislativo, Gilmar Luís Pollum (PL/Foto), apontado como articulador de representações que miram contratos sensíveis da Prefeitura.

As peças protocoladas pedem, em caráter emergencial, a suspensão do atendimento médico noturno nos postos de saúde e dos repasses ao Hospital e Maternidade Sagrada Família, único hospital da cidade, o que acendeu o sinal de alerta entre profissionais e usuários do sistema.

O alvo imediato é o contrato que garante atendimento médico em horário estendido nas unidades básicas, implantado na gestão do atual, para atender trabalhadores e famílias que não conseguem ir ao posto durante o expediente. Segundo apuração da reportagem, questão semelhante já havia sido analisada anteriormente pelo TCE, com parecer técnico pelo arquivamento por se tratar de assunto repetido, mas uma nova representação insiste em paralisar o serviço.

Em outra frente, denúncia contra o convênio com o Hospital Sagrada Família pede a interrupção imediata dos repasses, medida que, na avaliação de especialistas ouvidos sob anonimato, poderia resultar em redução de leitos, corte de plantões e até paralisação de setores inteiros da instituição.

Guerra é guerra

À guerra de representações soma‑se um ingrediente explosivo: a suspeita de “arapongagem” digital envolvendo servidores ligados ao Legislativo. Registros internos apontam acessos não autorizados aos sistemas da Prefeitura, com consulta a dados administrativos sem ordem formal. Uma auditoria técnica, conduzida pela empresa responsável pela segurança da informação, segundo apurado por O Jornaleiro, já está em andamento para mapear usuários, horários, equipamentos utilizados e eventuais irregularidades. Concluída essa etapa, o relatório deverá ser encaminhado à Delegacia Especializada em Crimes Cibernéticos, abrindo uma possível frente de investigação policial por violação de sistemas e abuso de acesso institucional.

Com cortinas fechadas

Nos bastidores, o clima é de guerra fria. Fontes relatam que a ofensiva sobre contratos da saúde estaria inserida em um jogo de pressão política: Gilmar Pollum, segundo comentários recorrentes, tentaria se cacifar para deixar o PL e disputar uma vaga de deputado federal, usando o desgaste da gestão municipal como moeda em negociações partidárias. Não há, até o momento, prova objetiva dessa ligação, mas a leitura predominante entre interlocutores, é de que parte das denúncias extrapola o debate técnico e mira diretamente o enfraquecimento político do prefeito.

O outro lado

O questionamento que pode partir do contribuinte diz respeito “ao pagamento dessa conta”, especialmente pelo fato de o cidadão comum e responsável, fazer de tudo para manter em dia seus tributos. Já é possível ouvir pelas rodas de conversa na cidade pais de crianças em fase de aprendizado, idosos e trabalhadores relatando medo de chegar ao posto e não encontrar médico, ou de ver o hospital restringindo atendimentos em plena alta demanda. “Não é briga política, é a nossa saúde. A gente precisa de médico, não de disputa de poder”, desabafo cada dia mais comum de se ouvir. Servidores municipais, em vários setores, já descrevem o sentimento de estar em um ambiente de tensão, com contratos expostos, risco de bloqueio de recursos e sensação de instabilidade permanente.

Da prefeitura

Em nota preliminar, a Prefeitura se limita afirmar que todos os contratos seguem critérios legais, técnicos e orçamentários, e reitera confiar na análise dos órgãos de controle. A Câmara de Vereadores, porém, ainda não se manifestou sobre o papel de seu diretor‑geral nas denúncias, nem sobre a suspeita de acesso indevido aos sistemas municipais. Entre representações no TCE, auditorias digitais e possível apuração criminal, São Bento do Sul vive uma crise institucional em que fiscalização, ambição eleitoral e tecnologia se misturam e na qual, se o bom senso não prevalecer, o maior prejudicado tende a ser justamente quem menos participa desse jogo: o cidadão que depende do SUS para viver.

Foto: Arquivo/O Jornaleiro

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O Jornaleiro

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