COMBUSTÍVEIS: preço dispara e afeta consumidor
Cidade antes referência em preço baixo agora sente, no bolso, reflexos da greve dos caminhoneiros (que ainda não existe) e da ganância no varejo
São Bento do Sul – O aumento dos combustíveis em todo o Brasil, impulsionado pelo estado de greve dos caminhoneiros e pela instabilidade na cadeia de distribuição, chegou com força também a Santa Catarina. Em São Bento do Sul, antiga “ilha” de preços mais baixos no mapa catarinense, o choque foi imediato: nesta sexta-feira (20), o litro da gasolina comum mais barato é encontrado a R$ 6,39 (se ainda não mudou, pois existe inconstância na permanência dos mesmos valores).
A foto DE CAPA, registrada na tarde de quinta-feira (19), em um dos postos que ainda pratica o menor valor da cidade, mostra a nova realidade nas bombas. O mesmo estabelecimento, segundo consumidores, exibia na véspera um preço R$ 0,90 mais baixo. Em menos de 24 horas, um salto que não se justifica apenas por reajustes na refinaria ou pela pressão do transporte: é o tipo de movimento que acende o alerta para possíveis abusos e oportunismo em cima da aflição de quem precisa trabalhar e se deslocar.
Não é novidade que, em momentos de crise, parte do setor aproveita o cenário para testar o limite da paciência, e do bolso, do consumidor. O que surpreende é o espaço confortável em que esses aumentos se instalam, quase sempre sem uma reação à altura dos órgãos de fiscalização. Em tese, o Código de Defesa do Consumidor protege a população de práticas abusivas e aumentos injustificados. Na prática, o que se vê são postos de abastecimento registrando filas, ainda que curtas, e um silêncio que incomoda.
Consumidor
É justamente aí que entra o papel do Procon. Não como espectador tardio, que aparece apenas para emitir nota depois do estrago feito, mas como agente efetivo de proteção. Em situações como a que se vive hoje em várias cidades catarinenses, espera-se do Procon ações concretas: levantamento de notas fiscais de compra e venda, comparação de margens, fiscalização em campo, abertura de canais ágeis de denúncia e, quando for o caso, autuações exemplares. Defender o consumidor não é apenas distribuir cartilha, é ir para a linha de frente quando o jogo fica pesado.
Responsa
Também cabe aos estabelecimentos algum senso de responsabilidade. Ninguém ignora que postos de combustíveis são impactados por variações de custo, impostos e logística. Mas há uma diferença evidente entre repassar reajustes inevitáveis e transformar cada crise em oportunidade de ganho rápido, num movimento que flerta com o abuso de poder econômico e afronta o bom senso. Na prática, quem paga a conta integral desse “acerto fino” é sempre o trabalhador, que não tem como escolher entre abastecer ou simplesmente deixar de sair de casa.
São Bento do Sul, que já foi motivo de orgulho pelo combustível mais barato do Estado, agora entra na mesma balada de combinação de crise, ganância e fiscalização tímida, o que pode virar um coquetel explosivo contra o cidadão comum. Se há algo de positivo nesse cenário, é a chance de que, finalmente, o tema seja tratado com a seriedade que merece: transparência real na formação de preços, Procon atuante e um recado claro aos que apostam na fragilidade do consumidor como parte do negócio.
Foto: Luzardo Chaves/O Jornaleiro





