Casos de estupro dobram em Santa Catarina e atingem maior número em cinco anos
Estadual – O número de casos de estupro registrados em Santa Catarina atingiu uma marca histórica: só no primeiro semestre, foram 2.088 casos registrados no Estado, mais que o dobro (103%) comparado ao mesmo período de 2022, quando foram 1.024. Este também é o número mais alto desde 2019, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), divulgados na segunda-feira (13).
No Brasil, o aumento foi de 14,9% — foram 34 mil no primeiro semestre de 2023, contra 29.580 no mesmo período de 2022. De todos os Estados brasileiros, Santa Catarina foi o com maior aumento em relação ao ano anterior, mas o maior número de casos registrados foi em São Paulo: 5.671 estupros nos primeiros seis meses do ano.
Para Fabiana Dal’Mas, promotora de Justiça e coordenadora do comitê de gênero do Ministério Público de São Paulo (MPSP), este aumento pode refletir o debate mais amplo e um aumento nas denúncias.
Quem são as vítimas
Dados da 17ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram que 61,4% das vítimas de estupro tem entre 0 e 13 anos, e oito em cada 10 tem menos de 18 anos. A maioria das vítimas, 88,7%, são mulheres, e 56,8% são negras.
— Isso mostra como a cultura do estupro encontra-se presente no nosso país. Como estamos falhando na proteção destas crianças e o longo caminho pela frente — avalia a promotora.
— Nesse tipo de crime, por mais surpreendente que possa parecer, o agressor normalmente é alguém conhecido da vítima, como um vizinho, ou alguém que tem um grau de parentesco e relação de autoridade com a vítima, como o pai, o padrasto, o tio ou o avô. Como proteger as meninas se elas são atacadas dentro do local onde deveriam ser protegidas, como o seu lar?
Já sobre a relação entre autor e vítima, o anuário confirma o que diz a promotoria. Entre as crianças de 0 a 13 anos, 86,1% dos agressores eram conhecidos, a maioria familiares, como avô, padrasto ou tio. Entre aquelas com mais de 14 anos, 77,2% dos agressores eram conhecidos delas. Além disso, 24,3% tinham sido estupradas por parceiros ou ex-parceiros íntimos.
Em relação ao local do crime, o lar das vítimas é o principal lugar onde ocorre a violência: 68,3% dos casos de estupro e estupro de vulnerável ocorreram na casa da vítima.
Fonte: NSC
Foto: Marcelo Camargo, Agência Brasil





