MAGRÃO: seu destino pode ser o Republicanos

 MAGRÃO: seu destino pode ser o Republicanos

Articulações por candidatura à Alesc colocam Magrão no centro do tabuleiro político regional, mas também abrem espaço para preocupações com relação ao compromisso dos partidos e dos políticos da microrregião

São Bento do Sul – A corrida para a formação das chapas às eleições de outubro começou a mexer em pontos sensíveis da política partidária na microrregião de São Bento do Sul. No município, já é dado como certo nos bastidores que o prefeito Antônio Tomazini (PL) não será candidato para a eleição de outubro, decisão que abre um vazio de liderança dentro do Partido Liberal e alimenta pressões por novos nomes na disputa proporcional.

Nesse contexto, o secretário de Obras, Luiz Neri Pereira, o Magrão (PL), passou a ser apontado como potencial candidato a deputado estadual. A leitura de parte da cúpula é de que ele reúne visibilidade, trânsito político e um trabalho bem avaliado à frente da pasta, o que poderia credenciar seu nome para buscar uma cadeira na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc).

O movimento, porém, está longe de ser simples. Além dos riscos naturais de uma candidatura majorada, deixar uma posição estratégica no Executivo para enfrentar uma eleição dura, sem garantia de vitória, há um ingrediente extra: a possibilidade de mudança de sigla. Magrão confirmou em conversa com O Jornaleiro que participa, na sexta-feira (27), de uma reunião com o deputado federal Zé Trovão (PL) e com o governador Jorginho Mello (PL), na qual deve ser discutido o cenário eleitoral e, entre os temas, a hipótese de migração para o Republicanos com vistas à disputa de outubro.

Magrão admite que ainda não há decisão tomada e que as conversas estão em curso com lideranças estaduais, reforçando que o debate envolve tanto a continuidade no PL quanto a alternativa de uma nova filiação. Nos bastidores, a avaliação é de que, qualquer que seja o caminho, o custo político pode ser alto. Sem uma base consolidada e sem garantia de apoio maciço de outras siglas da região, existe o risco de uma candidatura competitiva no discurso, mas insuficiente em votos para transformar presença de urna em cadeira na Alesc.

O quadro expõe uma discussão mais ampla, que vai além do nome de Magrão e toca diretamente a realidade de São Bento do Sul e da microrregião. Há anos, o território não consegue consolidar representação própria na Assembleia, assistindo a decisões estratégicas serem tomadas por parlamentares de outras regiões, com prioridades e agendas muitas vezes distantes das demandas locais.

Nesse cenário, alguns dirigentes políticos, empresariais e comunitários, defendem que a próxima eleição precisa ser encarada com responsabilidade estratégica, tendo em vista que, lançar candidatos apenas para “fazer legenda” e contribuir para o quociente partidário de estruturas maiores, sem real chance de vitória, tende a perpetuar o déficit de voz da região em Florianópolis. A discussão sobre quem será candidato, e por qual partido, deveria estar acompanhada de um projeto sólido, construído regionalmente, com capacidade real de eleger alguém que fale por São Bento do Sul e pelos municípios vizinhos, sob pena de a microrregião seguir ocupando apenas as arquibancadas do jogo político estadual.

Foto: Arquivo/O Jornaleiro

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O Jornaleiro

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