COLUNA POLÍTICA: Acisbs…terço…guardas…Amin
Chiodini
O deputado federal Carlos Chiodini, presidente estadual do MDB, não economizou nas palavras ao disparar uma carta aos filiados, deixando explícita sua reprovação ao encontro de 57 dos 70 prefeitos emedebistas com o governador Jorginho Mello (PL).
No texto…
…Chiodini lembra que Jorginho ignorou, desrespeitou e praticamente “chutou” o MDB da coligação em que havia o compromisso de reservar a vaga de vice ao partido dos pés‑vermelhos. A memória política, ao que parece, anda bem mais afiada em Brasília do que em algumas prefeituras.
Quanta insistência!
Fica a pergunta que não quer calar: por que, exatamente, o governador insiste tanto em trazer o MDB de volta à sua órbita depois de ter dado uma “bica” na sigla para abrir espaço ao Novo de Adriano Silva? A tentativa de reaproximação cheira menos a reconciliação e mais a cálculo frio. Quando o apreço é meramente circunstancial, o abraço político costuma vir com prazo de validade.
Olhando pra frente
Para muitos observadores, o movimento é cristalino: Jorginho está enxergando, no horizonte, a tropa de choque de João Rodrigues (PSD) se organizando para a campanha. Quando o adversário, de fato, sair da trincheira, o “bicho pega”, e o governador sabe disso.
Vencer “de primeira”
O esforço em emplacar uma eleição decidida em primeiro turno não é segredo para ninguém; a grande preocupação no governo é justamente o segundo turno, onde o jogo fica mais longo, mais caro e muito menos previsível.
Amin/De Toni
Um mal‑estar de alta voltagem foi criado entre os pré‑candidatos ao Senado; Esperidião Amin (PP), que busca a reeleição, e Carol de Toni (PL), aposta bolsonarista para a vaga. Uma fala, considerada “infeliz” por boa parte da base, da deputada federal foi interpretada por Amin como desrespeitosa, acendendo o pavio na relação entre os dois grupos. A brigada de incêndio já foi acionada nos bastidores, mas há fumaça demais para fingir que nada aconteceu.
Guarda armada
Em Campo Alegre, parte dos vereadores defende a implantação de segurança armada nas escolas, por meio de um projeto que pode servir de modelo para outras cidades catarinenses. A proposta prevê parceria com a Polícia Militar, com a prefeitura pagando em torno de R$ 5 mil mensais por profissional da reserva:
Salários
Dos R$ 5 mil, R$ 3,8 mil de salário ao policial e R$ 1,2 mil repassados à corporação para cobrir encargos. Em tempos de crescente sensação de insegurança, o debate promete ser tão tenso quanto necessário. Lembrando que está medida pode ser adotada em toda cidade onde Executivo e Legislativo chegarem ao consenso.
Preocupante
Levantamento do Tribunal de Contas do Estado mostrou que apenas 63% das crianças catarinenses estão alfabetizadas ao final do 2º ano do ensino fundamental, abaixo da meta estabelecida para a rede. O dado acendeu o sinal vermelho e mobilizou gestores estaduais e municipais em busca de ações concretas para melhorar o desempenho. Enquanto isso, discursos fáceis sobre “educação de qualidade” continuam fazendo carreira em palanques e redes sociais.
Dez mulheres
Santa Catarina registrou 10 feminicídios até 25 de abril de 2026, segundo a Secretaria de Estado da Segurança Pública, mantendo o mês entre os mais violentos dos últimos anos em crimes de gênero. Com esses casos, o estado soma 22 feminicídios no ano, o equivalente a cerca de 42% do total de 2025, quando 52 mulheres foram assassinadas por serem mulheres. Os números desmentem qualquer discurso triunfalista na área de segurança e expõem, mais uma vez, o abismo entre a realidade e as promessas.
Um terço
Em São Bento do Sul, o pagamento de um terço de férias sobre os 15 dias de recesso dos professores voltou ao epicentro das discussões, e das intrigas, na política local. O governo Tomazini (PL) encaminhou novo projeto à Câmara Municipal garantindo, em lei, que o terço de férias incida sobre 30 dias, como manda a CLT, enquanto o recesso segue remunerado, mas sem esse acréscimo. A tentativa é colocar o tema nos trilhos legais, mas, em um cenário que parece ser ano eleitoral no município, qualquer ajuste vira munição.
Sindicato
Como era previsível, o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais prepara nova ofensiva para tentar barrar a aprovação da proposta. O que parecia equacionado volta à mesa com novos contornos, interesses e narrativas. O desfecho dificilmente agradará a todos, e a pergunta que fica é: quem sairá da mesa dizendo que “perdeu menos”?
Moeda
Nos bastidores, há quem enxergue na iniciativa do governo um movimento calculado, apresentado justamente enquanto avança a discussão sobre a regulamentação dos descontos em folha para o sindicato. Ninguém admite publicamente, mas a leitura é de que o clima favorece algum tipo de “toma lá, dá cá” típico da velha política que insiste em sobreviver. Se for só coincidência, é daquelas que fariam corar até o mais ingênuo dos observadores.
Stanchack
O major PM Stanchack assume, na próxima quarta‑feira (6), o comando do 23º Batalhão da Polícia Militar, sediado em São Bento do Sul. Assim que a mudança foi confirmada, não faltaram aplausos, e não por cortesia. Stanchack construiu sua carreira na microrregião, com forte presença comunitária e diálogo aberto com lideranças locais, o que eleva a expectativa de uma gestão próxima, firme e bem articulada.
Voto útil
Bastou o novo presidente da Associação Empresarial, o jornalista Leonardo Celeski, anunciar que a entidade vai defender o chamado “voto útil” para que alguns pré‑candidatos sentissem a pancada antes mesmo da campanha começar. Assessores e penduricalhos entraram em modo de emergência para tentar manter o velho costume de buscar votos em candidatos de outras cidades e regiões. A defesa do voto útil local mexe diretamente com essa lógica e, por isso mesmo, provoca tanto incômodo.





