COLUNA POLÍTICA: Dívidas…obras…MDB…PP…UB
Coletiva para apagar incêndio
O prefeito Tomazini (PL) chamou a imprensa para dentro do gabinete na manhã de quinta-feira (7) para falar de um assunto que vem tirando o sono de muita gente: o projeto que pretende, enfim, colocar um ponto final na novela das férias e do recesso dos professores da rede municipal.
Terço
No centro da polêmica está a cobrança de um terço de férias sobre os 15 dias de recesso, vantagem criada por lei municipal de 2004 que, curiosamente, nunca foi paga por governo nenhum até aqui. Agora, quando alguém resolve encarar a bomba e tentar ajustar a legislação à realidade e à Constituição, precisa ficar com o desgaste.
Pressão seletiva
Uma parte dos professores tem se mobilizado forte para pressionar vereadores a não mexer na lei, defendendo o pagamento do terço também sobre os 15 dias de recesso. É legítimo lutar por direitos, mas chama atenção a memória seletiva: a artilharia está toda apontada para o governo de agora.
Enquanto isso…
… as administrações que por quase duas décadas não pagaram, não corrigiram a lei e empurraram o problema com a barriga passam praticamente ilesas no debate. Fica a sensação de que, em ano (ou pré‑ano) eleitoral, é mais confortável escolher um vilão do presente do que cobrar coerência de quem governou ontem.
Escolher lutas
No meio da gritaria, um professor com mais de 20 anos de sala de aula soltou uma frase que merece ser sublinhada: “Escolho as minhas lutas e, acredite: tem coisas pelo bem-estar do profissional e da comunidade escolar que carecem bem mais empenho da minha parte”.
Opinião dele
Tal profissional não é contra o cumprimento da lei, mas lembra que há questões estruturais, condições de trabalho, saúde mental, violência nas escolas, valorização no dia a dia, que talvez exijam mais energia do que apenas essa pauta específica do recesso.
INterrogação
A pergunta que fica é: este se priorizando o que, de fato, transforma a vida de quem está dentro da escola ou apenas a pauta que rende mais barulho político?
Maus exemplos
Outro ponto incômodo: quando gente que responde a processos, inclusive judiciais, por desrespeitar regras da própria profissão aparece na linha de frente das manifestações, o discurso perde força. Presenças desse tipo na Câmara na terça-feira (5) geraram desconforto entre professores que sabem que credibilidade também é currículo.
E mais:
Em tempos de redes sociais, fica ainda mais verdadeira a velha máxima: a palavra orienta, mas o exemplo arrasta. Quando o “porta-voz” não inspira confiança, a causa justa corre o risco de ser desacreditada junto.
Pra torcida
A categoria dos professores é politizada, bem informada e sabe separar quem está realmente preocupado com a educação de quem só quer um vídeo bonito para as redes. No Legislativo, há quem esteja claramente “jogando pra torcida”.
Percebe-se
Alguns discursos inflamados no microfone, promessas que não se sustentam juridicamente e uma conveniente amnésia quanto ao descompromisso de ex‑gestores que ignoraram o problema por anos. Enquanto isso, o eleitor-professor observa e registra mentalmente quem está sendo coerente com a história recente do município e quem só descobriu a causa agora que dá ibope.
A conta dos esquecidos
Na mesma coletiva, Tomazini lembrou outro detalhe nada romântico da administração pública: só para pagar compromissos deixados por gestões anteriores, a Prefeitura vai consumir o equivalente a dois anos e meio de arrecadação do IPTU. É dinheiro que poderia estar em obras novas, melhorias visíveis, mas que está indo para tapar buracos do passado.
Travou
Não por acaso, alguns projetos tiveram de ser suspensos ou desacelerados. Nessa hora, muitos dos que hoje cobram “mais investimentos” se esquecem de perguntar quem foi que assinou os cheques que agora estouram no caixa do atual governo.
Sindicato no jogo
O prefeito também destacou que há uma quantidade considerável de processos judiciais de professores, muitos deles motivados e orientados pelo sindicato da categoria, por meio de seu jurídico. O sindicato cumpre seu papel ao defender os filiados, mas não é neutro nesse tabuleiro: cada ação, cada tese jurídica, cada texto divulgado nas redes influencia o clima da cidade e a relação com o poder público.
Alerta
Quando a disputa é legítima, tudo bem; o problema é quando a narrativa estica demais a corda e atrapalha qualquer possibilidade de acordo que seja bom para a categoria e sustentável para o município.
Questão de honra
Mesmo com “a corda no pescoço”, Tomazini garante que todas as obras em andamento serão concluídas. Para ele, fechar cada contrato iniciado virou questão de honra para a gestão. Em tempos de desconfiança generalizada, cumprir o que já está começado talvez valha mais do que prometer mundos e fundos em novas placas e cerimônias. O contribuinte anda cansado de ver canteiro de obra virar monumento ao abandono.
Balaio de gato estadual
Pulando para o tabuleiro estadual, as articulações para 2026 em Santa Catarina mostram que a ideologia virou detalhe no rodapé do contrato. O que manda é o quinhão de poder que cada um leva na negociação.
Nada a ver!
Coligações improváveis, alianças entre antigos adversários e acordos de ocasião formam um verdadeiro balaio de gato em que o discurso do “projeto para o Estado” muitas vezes serve só de embalagem bonita para disputa de espaço.
MDB dividido ao meio
No MDB, o GPS continua recalculando rota. Uma parte do partido ainda flerta com o governador Jorginho Mello (PL), enquanto outra, liderada pelo presidente estadual Carlos Chiodini, já se acomodou na chapa de João Rodrigues (PSD), com o emedebista confirmado como pré-candidato a vice.
Porém, todavia
Até a convenção, muito discurso de unidade deve aparecer, mas, na prática, a divisão está escancarada, e o risco é o MDB sair das urnas menor do que poderia, justamente por não conseguir falar a mesma língua internamente.
Federação em linha tênue
PP e União Brasil vivem situação semelhante, caminhando sobre uma linha bem fina. De um lado, um grupo alinhado a figuras como Silvio Dreveck; de outro, o campo capitaneado por Esperidião Amin e sua turma. Alguém vai acabar perdendo, e não é pouco: vaga ao Senado, espaço em futuras chapas majoritárias, tempo de TV, estrutura regional. É o tipo de briga em que, às vezes, o adversário externo nem precisa fazer força; a autofagia dá conta do serviço.
Pesquisa e dor de cabeça
Bastou uma pesquisa ser divulgada na tarde de quinta-feira (7) para acender o sinal amarelo na Federação. Números recentes já mostravam Esperidião Amin (PP) tecnicamente embolado com Carlos Bolsonaro (PL) na corrida ao Senado, enquanto nomes como Carol De Toni (PL) também surgem fortes em outros cenários.
Traduzindo Quem parecia ter cadeira cativa em Brasília vai precisar suar a camisa para não ficar pelo caminho. Mas, até a campanha engrenar de verdade, muita água ainda vai passar por baixo dessa ponte, e, em política, correnteza forte costuma arrastar quem subestima o rio.





