PESOU: Administração anuncia suspensão de obras
Prefeito Tomazini admite impacto de dívidas e ações de servidores em obras e orçamento do município. Ele fala em “turbilhão” financeiro com passivo de até R$ 72 milhões e cita pressão do sindicato para pagamento do terço de férias sobre recesso de professores, o que deve reduzir investimentos em alguns setores.
São Bento do Sul – O prefeito Antonio Tomazini (PL) reconheceu que a situação financeira de São Bento do Sul mudou de rota com o avanço de ações judiciais movidas por servidores públicos, liderados pelo Sindicato dos Servidores, em especial professores da rede municipal. As ações cobram direitos trabalhistas acumulados ao longo dos anos, entre eles o pagamento do terço de férias sobre 15 dias de recesso escolar, e já somam um passivo que o prefeito estima contribuir para o montante de pagamentos que precisam ser feitos por conta de dívidas do passado, que, somados os processos de profissionais do magistério, gira de R$ 71 a R$ 72 milhões.
Segundo Tomazini, grande parte desse montante envolve processos que se arrastam desde 2004 e nunca foram quitados por gestões anteriores, apesar de estarem previstos em lei. Com as recentes decisões judiciais favoráveis aos servidores, a prefeitura é obrigada a ressarcir rapidamente valores atrasados, o que pressiona o orçamento de 2024. Apenas neste ano, o município projeta cerca de R$ 21 milhões em pagamentos, sem contar a dívida com a empreiteira Andrade Gutierrez, que passa de R$ 48 milhões. “Essa dívida tem origem quando o prefeito era o Fernando Mallon, à época no PMDB, hoje advogado do Sindicato dos servidores. Os governos que vieram depois, em algumas situações, tiveram oportunidade de acordo para quitação quando o valor era muito menor, mas não o fizeram. Agora, em instância final, a justiça decidiu que precisamos pagar. Neste ano precisamos quitar uma parcela de R$ 9 milhões. E, pelos próximos seis anos, valores entre R$ 8 e R$ 9 milhões anualmente”, disse.
“Culpa e obrigação”
Tomazini admite que a prefeitura “não tem culpa” por dívidas herdadas, mas ressalta que terá de pagar a conta. Ele afirma que o sindicato e os professores agiram amparados pela legislação ao buscar o Judiciário para garantir direitos, como o terço de férias sobre o recesso, mas alerta que a enxurrada de ações força o governo a desviar recursos antes destinados a novos investimentos. Obras em andamento serão mantidas, porém diversos projetos previstos para este ano tendem a ser suspensos ou adiados.
Tomazini diz contar com o superávit acumulado nos últimos anos para iniciar os pagamentos, mas admite que já no segundo semestre de 2026 será um período de ajuste duro. A prefeitura prepara novos projetos de lei a serem enviados à Câmara de Vereadores com o objetivo de “estancar a hemorragia” e evitar novos passivos semelhantes no futuro. A expectativa do prefeito é deixar as contas em ordem até o fim do mandato, de modo que o próximo gestor tenha mais tranquilidade para governar e que o município volte a investir com mais força a partir do fim de 2027.
Foto: Luzardo Chaves/O Jornaleiro
Na imagem de capa, prefeito, com documentos em mãos, lê o relatório de dívidas contraídas, segundo apontamentos e ações judiciais, em administrações anteriores.





