REFLEXÃO POLÍTICA: falsidade e mentiras em alta

 REFLEXÃO POLÍTICA: falsidade e mentiras em alta

São Bento do Sul – Em política, a fragilidade de caráter não aparece só nos votos ou nos projetos. Ela começa muito antes, nas conversas de corredor. Em salas fechadas, longe das câmeras e dos microfones, há quem fale absurdos sobre assuntos, setores, projetos e até pessoas. Criticam, ridicularizam, desmerecem. Mas, quando chega a hora de se manifestar em público, o discurso muda como se fosse outro personagem: aí surgem frases polidas, elogios exagerados, defesas emocionadas. É o show da falsidade, da encenação e da mentira, que espanta até colegas de bancada mais atentos.

Esse tipo de comportamento ajuda a explicar por que tantos países têm dificuldade em se reconstruir politicamente. Fica quase impossível organizar um cenário em que os representantes sejam firmes de palavra, exemplares de comportamento e sábios nas conjunturas, capazes de sustentar propostas que realmente edifiquem alguma coisa. Sem coerência, a política vira teatro ruim: muita fala, pouco conteúdo, nenhum compromisso real.

O exemplo até em casa, cidades que deveriam ter apenas representantes e políticos exemplares, fazem parte, como peças principais, de circos montados de forma que o cidadão simples não faz ideia.

Para quem acompanhou a sessão ordinária em São Bento do Sul na noite de terça-feira (14), pela transmissão ou sentado no plenário, percebeu nos olhares de alguns componentes da Casa Legislativa o espanto diante de “discursos”, no mínimo, equivocados. O rosto dizia uma coisa; o microfone, outra. Totalmente contrário às falas ditas em sala fechada.

A tecnologia, felizmente, não esquece. Câmeras, gravações e registros ajudam a expor comportamentos dentro e fora das salas de portas trancadas, onde a conversa “fica só entre nós” daqueles que deveriam ser exemplo – inclusive de firmeza no que dizem. Mas alguns preferem “jogar para a torcida”, garantir uns aplausos, sair “bem na fita” dos cortes de redes sociais, e seguir repetindo velhos vícios.

A podridão de caráter não aparece em alta definição para quem só vê entrevistas editadas ou o discursos prontos. Mas ela existe. E, para quem ainda acredita em alguma justiça, resta uma certeza: viver continua sendo a arte de semear e colher. Mais dia, menos dia, a incoerência volta como resultado. E a máscara, cedo ou tarde, cai.

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O Jornaleiro

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