FCEE busca ampliar apoio à rede municipal
Presidente da instituição, Jeane Rauh Probst Leite, esteve no município para discutir a inclusão de estudantes com deficiência e transtornos e anunciar ações de capacitação para profissionais da educação.
São Bento do Sul – A presidente da Fundação Catarinense de Educação Especial (FCEE), professora Jeane Rauh Probst Leite, esteve em São Bento do Sul para tratar do atendimento oferecido a estudantes com deficiência e transtornos na rede municipal. A agenda incluiu reuniões com representantes da Secretaria Municipal de Educação, o prefeito Antonio Tomazini e a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE).
A visita faz parte de uma iniciativa da FCEE para aproximar o Governo do Estado dos municípios e oferecer assessoramento na organização das políticas de educação especial. Segundo Jeane, a fundação pretende compartilhar a experiência acumulada ao longo de 58 anos de atuação e contribuir para o aprimoramento dos serviços já existentes.
Em São Bento do Sul, um levantamento aponta que aproximadamente 680 crianças com deficiência ou transtorno estão matriculadas na rede municipal de ensino. O município já oferece o Atendimento Educacional Especializado, mas, conforme a presidente da FCEE, alguns serviços precisam ser ajustados para atender às necessidades específicas de cada estudante.
Entre as propostas discutidas está a adaptação da rotina das escolas de tempo integral para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), além da possibilidade de novas contratações e da formação continuada dos professores. A intenção é fortalecer a capacitação dos profissionais e otimizar a estrutura que já está disponível na rede municipal. “Não existe uma regra para todos. É preciso observar criança por criança e fazer o ajuste necessário”, explicou Jeane.
Formação de professores é um dos principais desafios
Para a presidente da Fundação, a ampliação dos diagnósticos de autismo aumentou a demanda por atendimento especializado e tornou ainda mais urgente a preparação dos profissionais da educação. Ela defende que a formação inicial dos professores seja complementada por programas permanentes de capacitação.
Jeane também destacou que os cursos de graduação passaram a oferecer menos formações específicas em determinadas áreas da educação especial. Por isso, segundo ela, gestores públicos precisam investir na qualificação continuada para que os professores consigam compreender as diferentes necessidades dos estudantes.
Além do autismo, a educação especial atende pessoas com deficiência intelectual, surdez, Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), entre outras condições. A presidente ressaltou que a inclusão não deve se limitar à presença do aluno em sala de aula, mas garantir que ele se sinta pertencente à escola e tenha suas necessidades atendidas.
Aumento dos diagnósticos
Jeane afirmou que o crescimento no número de diagnósticos de autismo está relacionado, entre outros fatores, às mudanças nos critérios de avaliação e à ampliação do entendimento sobre o espectro autista. Esclarece que as condições as quais anteriormente recebiam outras classificações passaram a ser identificadas dentro do TEA.
A maior busca das famílias por diagnóstico e atendimento também contribuiu para o aumento dos registros. De acordo com a presidente, mais de 50 mil pessoas já possuem diagnóstico de autismo e carteira de identificação em Santa Catarina. A FCEE atende indiretamente mais de 34 mil pessoas por meio de instituições parceiras, entre APAEs, AMAs e associações.
Ela ainda observou que a participação das pessoas com deficiência na sociedade tem ajudado a combater o preconceito. Para a presidente, é fundamental que as próprias pessoas com deficiência e transtornos sejam ouvidas na formulação das políticas públicas.
Rede de atendimento
A FCEE mantém parceria com aproximadamente 244 instituições em Santa Catarina. A avaliação da presidente é de que os municípios podem avançar mais rapidamente ao integrar os serviços públicos às entidades que já possuem experiência e estrutura na área.
Jeane defendeu a união entre prefeitura, escolas, Secretaria de Educação e APAE para formar uma rede de atendimento mais eficiente. “Às vezes, perde-se muito tempo tentando criar algo novo sem olhar para os serviços que já existem e podem ser aprimorados”, afirmou.
Ao final da visita, a presidente deixou uma mensagem às famílias: pais e responsáveis não estão sozinhos na busca por diagnóstico, atendimento e inclusão. Ela reforçou que, além do cuidado com os filhos, é importante preservar a saúde e a qualidade de vida dos próprios familiares.
A FCEE informou que permanece à disposição dos municípios para orientar a organização dos serviços de educação especial com base em conhecimento técnico e evidências científicas.
Fotos: Luzardo Chaves/O Jornaleiro







