Faltam projetos e sobram divergências

 Faltam projetos e sobram divergências

Vereador afirma que Município não possui projetos técnicos para a Casa do Autista nem para a UBS da URCA, situação que impede a busca de recursos federais e estaduais. Parlamentar também critica falhas na comunicação da gestão e demonstra preocupação com decisões recentes na Educação.

São Bento do Sul – A ausência de projetos estruturados para importantes obras públicas voltou ao centro do debate político em São Bento do Sul. Em entrevista concedida à Rádio São Bento, o vereador Diego Niespodzinski (MDB) fez duras críticas à gestão municipal ao afirmar que a Prefeitura não dispõe de projetos técnicos para iniciativas consideradas prioritárias, como a Casa do Autista e a nova Unidade Básica de Saúde (UBS) do Alpestre. Segundo ele, a falta de planejamento impede que o município aproveite recursos disponibilizados por parlamentares e compromete o atendimento à população.

Para o vereador, o problema vai além da simples demora na execução de obras. A inexistência de projetos faz com que a cidade deixe de disputar emendas parlamentares que poderiam viabilizar investimentos importantes. “Quando os deputados dizem que os projetos não chegam, infelizmente isso acontece de fato. Nós buscamos recursos, mas para isso é preciso que exista um projeto pronto. Sem projeto, não há como cadastrar a proposta e nem utilizar as emendas”, afirmou.

Diego explicou que buscou apoio do deputado federal Valdir Cobalchini (MDB) para garantir recursos destinados à implantação da Casa do Autista. Entretanto, ao procurar o Executivo Municipal, recebeu a informação de que o projeto simplesmente não existe.

A revelação, segundo ele, é preocupante diante da crescente demanda das famílias atípicas no município. “Estamos falando de um projeto amplo, que poderia atender dezenas de crianças e famílias. Existe espaço físico para a implantação, existe interesse em buscar recursos, mas infelizmente não existe o projeto técnico. Isso impede qualquer avanço.”, destacou o vereador.

Saúde

O parlamentar estendeu a crítica à área da saúde. Conforme relatou, situação semelhante ocorre com a reivindicada Unidade Básica de Saúde do Residencial Alpestre, outra demanda considerada histórica pela comunidade. Apesar de haver projeto para esta Unidade, na prefeitura recebeu a informação que já existe contrapartida para tal. “Fomos em busca dos recursos, na ordem de R$ 600 mil, mas quando procurei o gabinete a chefe, Suzana, disse que já existia contrapartida e a emenda poderia ser destinada para outra finalidade. Como não havia outro projeto, não pode ser captado o recurso”, informa.

Segundo Diego, a inexistência de projetos demonstra falta de planejamento administrativo e reduz significativamente a capacidade do município em captar recursos estaduais e federais. “O dinheiro muitas vezes existe. O que falta é organização e planejamento para apresentar projetos consistentes. De pouco em pouco vamos conquistando recursos, iniciando obras e melhorando a qualidade dos serviços. Mas, sem projeto, nada acontece”, reforça.

Além da cobrança relacionada às obras, Diego também demonstrou preocupação com o atual cenário da administração municipal. Para ele, a população já sente os reflexos de problemas internos no Executivo. “Não estou falando de desgaste político nem de disputas internas. O que preocupa é que quem está sofrendo é o cidadão. São as pessoas que dependem dos serviços públicos”, pontua.

Educação

Na área da Educação, o vereador afirmou acompanhar com atenção projetos que tramitam na Câmara, especialmente aqueles relacionados ao transporte escolar e ao atendimento de estudantes.

Ele também criticou a recente anulação da portaria que previa a contratação de 11 servidores municipais. Segundo ele, recebeu o relato de uma servidora concursada que havia pedido exoneração de seu cargo anterior para assumir nova função e acabou surpreendida pela revogação do ato. “Recebi mensagens de pessoas desesperadas. Uma servidora contou que pediu exoneração para melhorar a renda da família e, trinta dias depois, foi informada de que não precisaria mais trabalhar. Isso traz enorme insegurança para quem depende do serviço público”, diz.

Outro ponto levantado pelo vereador foi a dificuldade de comunicação dentro da própria administração. Segundo Diego, a falta de diálogo entre secretarias, gabinete do prefeito e até mesmo entre Executivo e Legislativo tem prejudicado decisões importantes. “Desde o início do mandato venho alertando sobre esse problema. A comunicação é fundamental para qualquer gestão. Hoje percebemos claramente que essa dificuldade existe e acaba refletindo diretamente no atendimento à população”, acrescenta.

Apesar das críticas, Diego afirmou que continuará buscando recursos junto às bancadas estadual e federal para atender demandas de São Bento do Sul. O vereador também defendeu maior representatividade política do Planalto Norte em Brasília e na Assembleia Legislativa, argumentando que, a região necessita de parlamentares comprometidos com as necessidades locais e capazes de acelerar investimentos para os municípios.

Foto: Luzardo Chaves/O Jornaleiro

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