Suspeito de estupro que chocou Joinville assume crime, mas diz não ter feito ‘nada demais’

 Suspeito de estupro que chocou Joinville assume crime, mas diz não ter feito ‘nada demais’

Joinville – O homem preso suspeito de ter estuprado uma jovem de 20 anos em plena luz do dia na região central de Joinville, no Norte de Santa Catarina, assumiu o crime. Em interrogatório, porém, ele disse “não ter feito nada demais” porque “não encostou nela”.

O crime aconteceu na tarde de segunda-feira (9) e ganhou repercussão depois que a vítima denunciou o caso na internet. Ela andava pela avenida Hermann August Lepper quando começou a ser seguida por um homem que, depois, a empurrou, pegou pelo braço e a ameaçou.

Polícia Civil fez a prisão do suspeito um dia após o crime – Foto: Felipe Bambace/NDTV

O suspeito foi preso um dia após o crime, na terça-feira (11). “Nós adotamos a mesma estratégia de outras ocasiões, quando a situação exige uma pronta resposta. Concentramos esforços em diversas delegacias e no nosso núcleo de inteligência. Por isso, conseguimos chegar a esse resultado de forma rápida”, disse Tânia Harada, coordenadora da DIC (Divisão de Investigação Criminal).

Segundo ela, havia receio de que, por causa da repercussão, o homem fugisse de Joinville. Contudo, após a identificação de vários endereços ligados a ele, o suspeito foi preso quando chegava à casa da companheira, também na região central da cidade.

“Ele reconhece o que fez, mas parece que não tem noção da gravidade, do quanto a conduta dele é odiosa. Tanto que nem tenta justificar, diz que não fez nada demais, que não encostou nela. É lamentável que a gente e depare com esse tipo de crime ocorrendo em plena luz do dia e que a pessoa sequer tenha a consciência do quão odiosa é a sua conduta”, diz a delegada.

O Homem foi preso em flagrante e encaminhado ao presídio regional de Joinville.

Confira o relato da jovem

“Eu estava andando normalmente, não é um caminho que eu faço todos os dias, mas sempre andei na rua sozinha e nunca tive problema. Quando saí da prefeitura senti algo estranho, mas continuei caminhando. Na avenida, percebi que ele estava me seguindo, olhei para trás, apertei o passo, mas ele também e me alcançou, me segurou pelo braço”, lembra a jovem.

Conhecida pelas árvores ao longo de toda a avenida, foi justamente entre duas delas que a jovem foi estuprada, em plena luz do dia, com todo o movimento de veículos na avenida. “Ele me colocou no meio das duas árvores, me empurrou, pegou no meu braço, disse que era um assalto e disse para não gritar ou iria me matar. Eu falei que poderia levar tudo, mas que não me machucasse. Ele tirou o pênis e começou a se masturbar atrás de mim, ficou se esfregando em mim e eu não consegui gritar. Não conseguia fazer nada. Acho que porque ele falou que me mataria. Não consegui ter reação”, conta.

Após o estupro, o homem que vestia um short, uma camisa de time de futebol e estava com uma sacola na mão, a ameaçou novamente, falando para ir na direção contrária e não olhar para trás. “Ele não levou nada de material, mas levou um pouco da minha vontade de viver”, escreveu a jovem em um forte relato que fez nas redes sociais e que repercutiu rapidamente.

Depois do estupro ela se abrigou na guarita de uma empresa e foi acolhida também por uma amiga, com quem iria encontrar depois de sair da prefeitura, mas antes foi estuprada em plena luz do dia. Imediatamente, a jovem ligou para a Polícia Militar, fez boletim de ocorrência e foi encaminhada à Dpcami (Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso), onde repetiu o depoimento, tirou a calça, que foi encaminhada para perícia, e foi atendida. “Me senti um pouco invalidada, fui questionada várias vezes, se eu tinha certeza do que tinha acontecido, se estava ciente, se tinha prestado atenção, se era realmente isso”, afirma.

A jovem ressalta que não teve nenhuma dúvida sobre realizar a denúncia e fazer o relato para alertar as mulheres joinvilenses e, ainda, chamar a atenção para a segurança na cidade. Ela trabalha na internet há quase três anos e reforça a importância de divulgar o que aconteceu.

“Eu sei a importância de poder ter voz e alcance na sociedade que vivemos. Precisamos falar porque se não falar, nada vai acontecer. Recebi muitas mensagens de mulheres que já passaram por isso, vários relatos e elas se sentiram confortáveis em compartilhar comigo. O meu intuito com o relato na internet era de que as pessoas falassem sobre isso e foi cumprido”, reforça.

“Poderia ser qualquer pessoa, qualquer mulher, poderia ser uma criança. Eu não quero deixar que isso me afete ao ponto de eu não conseguir andar na rua, comer, dormir. Se eu pudesse, não derramaria uma lágrima, porque o ódio que estou sentindo no peito é maior do que a tristeza e não quero que isso afete a minha vida a ponto de me destruir. Quando acontece, você se sente sozinha, se sente o ser mais repugnante do mundo, mas não estamos sozinhas e não podemos deixar isso impune”, finaliza.

Fonte: ND+

Foto: Reprodução/ND+

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O Jornaleiro

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