MEMÓRIAS: Exposição da Artefama no Museu
Mostra reúne peças produzidas nas décadas de 1960 e 1970 e destaca o trabalho de moradores que ajudaram a construir parte da história econômica e cultural do município
São Bento do Sul – A exposição “Artefatos da Memória”, em cartaz no Museu Municipal Felipe Maria Wolf, em São Bento do Sul, reúne peças produzidas pela Artefama entre as décadas de 1960, 70, 80 e 90. A mostra resgata técnicas, objetos e histórias relacionadas à produção artesanal que envolveu moradores da cidade e gerou negócios com outros países, deixando uma marca essencial para o sucesso da economia local.
A curadoria é assinada por Ivana Lampe (FOTO CAPA), que teve acesso a materiais preservados no memorial da empresa e algumas pessoas parceiras e que fizeram questão de contribuir. Segundo ela, muitas das peças são verdadeiras obras de arte e ajudam a revelar aspectos pouco conhecidos da história local.
Entre os objetos expostos estão peças decoradas, pinturas, artigos com marchetaria, bandejas, caixas de joias, cadeiras trançadas e ovos de madeira que, no passado, eram utilizados inclusive para presentear com recheio de chocolates. Muitos desses itens foram produzidos com a participação de mulheres, crianças e jovens de São Bento do Sul.
A exposição também apresenta objetos confeccionados a partir de partes dos pinheiros, consideradas, na época, resíduos da indústria madeireira. Um dos destaques, dois ovos de madeira emprestados por Adrian Kobs, um descendente dos primeiros funcionários da Artefama. As peças foram produzidas com copas de pinheiros recolhidas em áreas de descarte, com aproveitamento especial do que se chamava de “parte dos nós de pinho”.
De acordo com a curadora, a produção desses artefatos movimentou a economia do município durante anos. Contêineres carregados com os produtos eram enviados ao exterior, consolidando uma atividade que marcou a história de São Bento do Sul.
Cultura e costumes
A mostra também propõe uma reflexão sobre a transformação dos costumes. Embora algumas peças utilizassem asas de borboletas em sua decoração, a curadoria ressalta que a prática não deve ser incentivada atualmente, já que a captura desses animais é considerada atualmente crime ambiental. A intenção é preservar a memória e estimular o estudo sobre os contextos social e econômico de cada época.
Para Ivana, o resgate desses materiais pode inspirar novas formas de artesanato e fortalecer a economia criativa, valorizando o pinheiro e outros elementos ligados à identidade de São Bento do Sul. A proposta é incentivar a criação de produtos locais com características próprias e potencial turístico.
No Museu
A exposição ocupa a sala destinada a mostras temporárias do museu Felipe Maria Wolff e também reforça a importância de aproximar a comunidade do patrimônio histórico. Além de apresentar novas peças ao público, o espaço permite que visitantes registrem lembranças e relatos relacionados à Artefama e à vida nas décadas de ouro da fabricação moveleira na cidade.
“Artefatos da Memória” permanece aberta ao público até domingo (16), das 10 às 16 horas, sem intervalo para o almoço, inclusive no sábado (15) e domingo (16). A entrada gratuita pode ser aproveitada por moradores, estudantes e turistas interessados em conhecer parte da história cultural e industrial do município.











Fotos: Luzardo Chaves/O Jornaleiro







