POLÍTICA: Reeleição..Lei Orgânica…Knüppel…voto útil
PRAZO
Termina nesta quarta-feira (5) o prazo para as convenções partidárias em todo o país. É o momento em que os partidos finalmente param de ensaiar e começam, de fato, a bancar seus nomes oficiais para a disputa de 4 de outubro. Até lá, seguem as costuras de bastidores, as alianças improváveis e as habituais mudanças de última hora, porque, na política, coerência costuma durar menos que promessa em ano eleitoral.
EXPECTATIVA
A microrregião vive um daqueles raros momentos em que ainda consegue cultivar alguma esperança. Cresce a sensação de que São Bento do Sul, Rio Negrinho e Campo Alegre podem voltar a ocupar espaço na Assembleia Legislativa e até na Câmara Federal.
PORÉM/TODAVIA
Como sempre, há o velho fantasma dos paraquedistas: candidatos de fora que caem por aqui com a tranquilidade de quem sabe que, em terra de voto cativo, ainda tem gente disposta a emprestar o próprio palanque para esvaziar a representação local.
QUEM?
São os já conhecidos candidatos importados, aqueles que aparecem de quatro em quatro anos para pedir votos como se a região fosse apenas um cenário conveniente. Contam com a boa vontade de cabos eleitorais locais e saem carregando votos que depois fazem falta quando a microrregião tenta bater à porta de gabinetes alheios. Depois, claro, vem o velho chororô sobre a falta de atenção ao Planalto Norte, como se essa ausência tivesse surgido por acaso.
LIDERANÇAS
O que anima os pré-candidatos locais é a reação de lideranças políticas, empresariais e comunitárias em torno do chamado voto útil. Depois de tanto tempo reclamando da falta de deputados comprometidos com a região, começa a parecer que parte da população entendeu o óbvio: representatividade não se implora depois da eleição; se constrói antes, com voto consciente e menos entusiasmo por aventuras de fora.
POSSIBILIDADE
Se a região continuar distribuindo votos para quem mora longe dos seus problemas, seguirá fazendo fila na porta de gabinetes que só lembram daqui em época de foto e aperto de mão. A chance existe de eleger nomes daqui, com rosto, endereço e compromisso local. A pergunta é se o eleitor vai aproveitar a chance ou repetir o velho hábito de terceirizar a própria força política.
AFASTADO
O vereador Ademir Knüppel (PL), de Campo Alegre, anunciou na sessão de segunda-feira (3) que ficará afastado do Legislativo pelos próximos quatro meses. Segundo informou, o período será destinado a assuntos particulares. A licença abre espaço para a convocação do suplente.
SUPLENTE
Quem assume é João Paulo Woiciekovski (PL). Na saída temporária do cargo, Ademir desejou sucesso ao suplente e disse que pretende retornar ao fim da licença. Agora, cabe ao novo vereador provar que suplência não é apenas ocupação de espaço, mas oportunidade real de mostrar serviço. Porque cadeira herdada sem entrega costuma virar só figurante de luxo.
REELEIÇÃO?
A revisão da Lei Orgânica de São Bento do Sul começou a levantar mais perguntas do que respostas. Entre as alterações percebidas, surgiu a reintrodução da possibilidade de reeleição para a presidência da Mesa Diretora da Câmara. O detalhe chama atenção justamente porque teria aparecido sem debate, sequer com todos os vereadores, e sem qualquer explicação convincente, um daqueles lances em que a transparência parece ter passado longe da sala.
NATIMORTO
Nos bastidores, a proposta teria causado constrangimento até entre vereadores que nem sabiam do que se tratava. Diante da repercussão, a ideia parece ter perdido fôlego antes mesmo de respirar direito. Em política, há projetos que nascem mal, vivem menos ainda e morrem com a elegância de quem nunca deveria ter entrado ou saído do papel.
E MAIS!
O problema é que a reeleição da Mesa talvez nem seja a parte mais delicada da revisão. Há outras questões que pedem atenção redobrada e, sobretudo, explicações públicas. Revisar a Lei Orgânica não é tarefa para se fazer no escuro, como quem testa um truque de bastidor esperando que ninguém perceba o movimento.
DA LUZ
A Câmara de São Bento do Sul realiza sessão ordinária nesta terça-feira, às 19 horas, com o retorno do suplente Luiz da Luz (PL/FOTO) ao Legislativo. Depois de quatro meses à frente da Secretaria de Obras, período em que substituiu o secretário Magrão (PL), Da Luz volta ao Parlamento com a experiência do Executivo na bagagem. Resta saber se isso vai render fiscalização de verdade ou apenas mais uma fala bonita para a tribuna.





