Audiência pública aponta rejeição ao projeto Apae-Escola

Audiência pública aponta rejeição ao projeto Apae-Escola

Professores, dirigentes das Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apaes), pais e profissionais dedicados às pessoas com deficiência que participaram de audiência pública proposta pelas Comissões de Educação, Cultura e Desporto e de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência da Assembleia Legislativa, realizada na tarde de segunda-feira (23), em Florianópolis, rejeitaram majoritariamente o projeto Apae-Escola. A proposta pode reconhecer as unidades da Apae como unidades de educação especial, com a certificação dos alunos e a possibilidade de recebimento de recursos do Fundeb.

“Antes era escola para negros e escola para brancos. A integração escolar veio unir negros e brancos. Agora é a integração dos especiais. Uns podem estar na escola, outros não? Esses que a gente não acredita no potencial não podem? Nosso desafio é a vivência de todos os seres humanos, nós já nascemos na pluralidade”, argumentou a professora Rosângela Machado.

Os defensores do projeto Apae-Escola justificaram o modelo, explicando que há cerca de 21 mil alunos frequentando as Apaes em Santa Catarina que não aparecem no censo escolar e garantiram que a modalidade funcionará no período do contraturno.

O presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência, deputado Dr. Vicente Caropreso (PSDB), médico voluntário da Apae de Jaraguá do Sul há 33 anos, ressaltou a importância da inclusão. “Nessas três décadas vi uma melhoria significativa na educação especial, com a união e o entrosamento entre FCCE, a Federação das Apaes e a Secretaria de Estado da Educação. Podemos nos orgulhar”, avaliou Caropreso, que ressaltou a palavra inclusão. “É a partir dela que vamos agir.”

A presidente da Comissão de Educação, deputada Luciane Carminatti (PT), propositora da audiência pública juntamente com Caropreso, alertou para o caráter consultivo da audiência pública. “Esta audiência não tem prerrogativa de determinar ao Conselho Estadual de Educação o que deve fazer, mas de construir um diálogo com o conselho. Vamos trabalhar na perspectiva de legitimar a inclusão. Não queremos que se configure a ideia de as Apaes se transformarem em Apaes-Escolas, queremos a inclusão de todos os alunos na rede regular, naqueles níveis que a FCEE entender”, informou a deputada.

Fonte: http://agenciaal.alesc.sc.gov.br

FOTO: Rodolfo Espínola/Agência AL