TERE DYBAS: “Somos realmente necessários?”
Vereadora Terezinha Dybas (psd) questiona papel dos vereadores e cobra responsabilidade na fiscalização do Município
São Bento do Sul – A vereadora Terezinha Dybas (PSD) usou a palavra livre na sessão ordinária da Câmara de São Bento do Sul, na terça-feira (19), para fazer um duro questionamento sobre o papel do Legislativo e a responsabilidade dos agentes públicos na fiscalização das contas do Município. Em tom de indignação, ela criticou a postura dos parlamentares, obviamente se incluindo aos mesmos, diante de denúncias encaminhadas ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas sem participação de nenhum dos dez vereadores.
Logo no início, Tere lamentou o rumo dos debates políticos na cidade, afirmando que, em vez de todos estarem trabalhando pela população, o foco tem sido desviado para disputas que não trazem bem-estar à comunidade. A vereadora também saiu em defesa da instituição Câmara de Vereadores, ao comentar uma imagem que circula nas redes sociais fazendo menção ao Legislativo. Ela ressaltou que os mandatos são temporários, mas o Poder Legislativo permanece e precisa ser respeitado, assim como o Executivo.
Em seguida, fez a pergunta que norteou seu discurso: “Qual a necessidade de nós dez vereadores estarmos aqui? Nós somos realmente necessários?”. Ao lembrar que há cerca de dez denúncias em andamento em órgãos de controle, nenhuma delas subscrita por vereadores, Terezinha cobrou autocrítica: se o Legislativo não identifica motivos para formalizar questionamentos, estaria falhando em sua função de fiscalizar.
Atribuições
A vereadora ampliou a crítica e mencionou outros atores do controle público, como o setor de controle interno da prefeitura, secretários municipais, ordenadores de despesa, e servidores envolvidos em licitações, editais e contratos. Segundo ela, se há tantos apontamentos sendo feitos por cidadãos, é preciso verificar por que essas estruturas internas não estariam identificando eventuais irregularidades.
Terezinha também citou o Tribunal de Contas, lembrando que as contas da prefeitura relativas a 2024 foram aprovadas com apenas uma pequena ressalva, de valor em torno de R$ 1,4 mil, diante de milhares de lançamentos contábeis. Para a vereadora, esse cenário contrasta com o volume de suspeitas que tem gerado manifestações e denúncias na cidade.
Sagrada Família
Ao tratar de um contrato com o Hospital e Maternidade Sagrada Família, único da cidade, Terezinha mencionou a existência de 139 aditivos. Ela explicou que repasses de emendas parlamentares, complementos salariais para profissionais da saúde e pagamentos por exames e cirurgias passam obrigatoriamente pelo Fundo Municipal de Saúde antes de chegar ao hospital, o que ajuda a explicar o número elevado de aditivos. Ainda assim, reforçou a necessidade de transparência e prestação de contas rigorosa de todos os valores envolvidos.
Ao final, a vereadora reiterou a defesa da Câmara como instituição e cobrou responsabilidade de todos os envolvidos na gestão do dinheiro público, vereadores, Executivo, servidores, órgãos de controle e empresas que participam de licitações. Seu discurso deixou no ar uma provocação direta: se os instrumentos de fiscalização existem, cabe a quem está no exercício do cargo usá-los com coragem, sob pena de ver a confiança da população se esvair?.
Foto: Arquivo/O Jornaleiro





