INDIGNAÇÃO: Sacerdote apoia comunidade regional
Padre Luciano critica ausência do ICMBio e cobra respeito em audiência sobre parque
Garuva – A audiência pública realizada em Garuva na noite desta quarta-feira (8), para discutir a criação de um parque nacional na região de divisa entre Santa Catarina e Paraná, ganhou um tom mais contundente com a participação do padre Luciano Toller, da Paróquia Puríssimo Coração de Maria, de São Bento do Sul. O sacerdote fez questão de acompanhar vereadores e famílias de Campo Alegre ao encontro e não poupou críticas ao formato do evento e à postura do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Logo no início de sua fala, o padre interrompeu o protocolo para chamar a atenção de pessoas que conversavam nos fundos do ginásio, atrapalhando quem tentava acompanhar as manifestações. Ele cobrou silêncio e respeito a quem se deslocou até Garuva para ouvir, falar e representar comunidades inteiras impactadas pela proposta do parque. O gesto arrancou aplausos e expôs o incômodo de parte do público com a falta de atenção durante as falas.
ICMBio
Em seguida, o sacerdote concentrou suas críticas no ICMBio, que não enviou representantes presenciais à audiência e optou por encaminhar apenas um vídeo de cerca de oito minutos com suas justificativas. Para o padre Luciano, a ausência foi um “descaso” com a população, com agricultores e moradores que trabalharam o dia todo e ainda assim se deslocaram para o debate. Ele relatou que chegou a preparar um discurso específico para os técnicos do órgão, mas desistiu de lê-lo diante da decisão de não comparecerem.
Filho de família ligada ao meio rural e com raízes em Pirabeiraba e Laranjeiras, o padre destacou que fala a partir da realidade de quem vive da terra, plantando e trabalhando na roça. Lembrou que as áreas hoje em discussão foram preservadas justamente por famílias que permaneceram no campo, e que falar de unidade de conservação sem ouvir esses moradores é ignorar a história e o esforço de quem mantém a região em pé.
Prejuízos
O religioso também alertou para os efeitos da chamada “zona de amortecimento” prevista em projetos desse tipo, pedindo que os moradores fiquem atentos às possíveis restrições sobre o uso da terra, mesmo em áreas fora do núcleo do parque. Defendeu que, em vez de impor um modelo de conservação de cima para baixo, o poder público deveria priorizar políticas que fortaleçam a agricultura, gerem renda e criem condições para que as famílias permaneçam em suas propriedades.
Ao final, padre Luciano pediu união das comunidades e das lideranças políticas da região para falar “numa única voz” em defesa dos moradores do campo. Desejou bênçãos aos políticos presentes e reforçou que a luta não é contra a preservação ambiental, mas por um modelo que respeite quem vive, trabalha e mantém há décadas a paisagem que agora se pretende transformar em parque nacional.
Foto: Reprodução






