COLUNA POLÍTICA: Estresse…descontos…Mesa…Dívidas
Só a capa!
O prefeito Antonio Tomazini (PL) recebeu O Jornaleiro no gabinete, nesta quinta‑feira (9), com a expressão de quem já começou o dia no vermelho emocional. Sem rodeios, desabafou: “Muito cansaço! Tem gente que está brincando com o Poder Público. Falta compromisso, responsabilidade e empatia”. A frase mira, sem citar nomes, figuras que usam a máquina para fazer cena política, enquanto a conta fica para o contribuinte.
Pendências
Entre os motivos do desgaste, pesam as ações judiciais que obrigam o município a pagar dívidas herdadas de gestões anteriores. “Tem partido político esbravejando pelo bom trabalho que estamos fazendo, mas está na hora de colocar as coisas no lugar”, cutuca Tomazini, lembrando que parte dos que hoje apontam o dedo foram justamente os que ajudaram a criar o buraco financeiro. A sensação no Paço é de que o governo está pagando a conta do “fiado político” do passado.
Que coisas?
Para não ficar só no discurso, o prefeito diz estar preparando um relatório detalhado das dívidas que já estão sendo pagas e das que ainda virão, com carimbo de origem em cada uma. A intenção é jogar luz sobre contratos, processos e condenações que estouraram agora, mas nasceram bem antes de 2021. Tomazini aposta que, com os números à vista, boa parte dos julgamentos apressados, e dos discursos inflamados, vai precisar ser reescrita.
Processos
Sobre a guerra judicial que envolve o presidente da Câmara, Gilmar Pollum (PL), e o diretor do Legislativo, Ronnie Zulauf, o prefeito preferiu o silêncio oficial. Mas deixou escapar o recado: vai até as últimas consequências para defender a honra da administração. “Jamais faríamos alguma coisa que pudesse lesar o erário. Os atos levianos que sofremos precisam ser esclarecidos pela verdade”, resumiu. A mensagem foi clara: quem apostava que o Executivo recuaria, pode ter calculado mal o adversário.
Em Camboriú
No começo da tarde, Tomazini pegou a estrada rumo a Balneário Camboriú, onde São Bento do Sul recebeu menção pelos investimentos em modernização e tecnologia. O prêmio para “cidades inteligentes” reconhece as gestões que avançaram em inovação e serviços digitais. A presença do prefeito, em meio à turbulência política local, também funciona como cartão de visitas: lá fora, o município tenta mostrar que dá para falar de futuro mesmo com o fogo cruzado em casa.
Descontos
Outro ponto em pauta é o projeto de lei que regulamenta, de acordo com a legislação vigente, os descontos em folha dos servidores públicos. A proposta será apresentada nesta sexta‑feira (10) para imprensa e vereadores e, depois, enviada à Câmara. A ideia é colocar ordem no uso da folha para empréstimos, compras e contribuições, tema que vinha sendo tratado nos bastidores, mas que já estourava a paciência de servidores endividados e do próprio governo.
Zero de pagamento
O levantamento feito pela Prefeitura revelou casos de servidores que, no fim do mês, estavam recebendo R$ 0,00 de salário, engolidos por descontos sucessivos. Com a nova lei, haverá um teto percentual para comprometer a remuneração, impedindo que a soma dos abatimentos ultrapasse o limite legal. Na prática, é um freio de emergência para evitar que o holerite vire apenas trânsito de dinheiro entre bancos, cartões e crediários, deixando o servidor sem um real no bolso.
Sobre Sindicato e ASP
Tomazini faz questão de dizer que o pacote mira a proteção do servidor, e não o enfraquecimento das entidades. Ao Sindicato e à ASP, o recado veio em tom diplomático, mas direto: cada um precisará rever a forma de ofertar convênios, compras e empréstimos, para não empurrar o associado ao abismo financeiro. No entendimento do prefeito, defender o trabalhador também passa por não estimulá‑lo a comprometer todo o salário em descontos “automáticos” e silenciosos.
Da Câmara
Na Câmara, o assunto do dia na famosa “rádio peão” foi o holerite de um servidor que circulou nos grupos de WhatsApp. A indignação não é com o fato de o documento ser público, mas com os números: salário final acima de R$ 17 mil, incluindo gratificação de quase R$ 4 mil, valor maior que dos secretários municipais. Nos corredores, já tem gente dizendo que, se a Casa não explicar bem a composição desse contracheque, a pauta pode virar mais um combustível para a crise de imagem do Legislativo.
Perdas e ganhos
Nos bastidores, a disputa pela Mesa Diretora na segunda metade da legislatura entrou em modo xadrez. Líderes governistas avaliam que, com o quadro atual, o comando da Câmara só escapa das mãos do grupo se houver erro de cálculo, ou se o “poço das vaidades” continuar transbordando. A postura inesperada de algumas figuras, porém, tem travado alianças que pareciam certas. Em resumo: o governo tem votos para não perder, mas, se insistir em brigar mais entre si do que com a oposição, pode acabar entregando a presidência de bandeja.






