Parque Nacional? Não, obrigado!

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Comissão regional entrega dossiê na Alesc para barrar criação de unidade de conservação que ameaça propriedades e economia local

Campo Alegre – Uma comissão formada por vereadores, lideranças e representantes de cinco municípios, Campo Alegre, Garuva, Joinville, Guaratuba e Tijucas do Sul, juntamente com o vice-prefeito Tancredo Ronscka, viajou na manhã desta quarta-feira (3) para Florianópolis para entregar à Assembleia Legislativa um dossiê técnico contrário à criação do Parque Nacional Quiriri-Aracatuba. O documento, resultado de mais de seis meses de estudos, reúne argumentos técnicos, jurídicos e socioeconômicos para demonstrar que a proposta de proteção integral é desnecessária, prejudicial e desproporcional à realidade da região.

O vereador João Nilson Venera, de Campo Alegre, que integra o grupo, destacou que a região já possui um ambiente natural bem preservado graças à convivência histórica entre as famílias locais e o território. Segundo ele, a proposta federal ignora que a área já é protegida por APPs, APAs e pelo Código Florestal, e que a comunidade local é a principal responsável pela manutenção do equilíbrio ambiental. “Não existem ameaças graves ou urgentes que justifiquem uma intervenção restritiva. O que existe é uma gestão territorial que já funciona”, afirmou.

Documento

O dossiê aponta que a criação do parque, além de redundante, traria uma barreira burocrática capaz de sufocar atividades agrícolas, pastoris e turísticas, gerando perda de renda, paralisação econômica e até risco de deslocamento forçado de famílias que vivem há gerações na região. O documento também alerta para a insegurança jurídica que a medida pode causar, com ameaça ao direito de propriedade e à função social da terra.

A comissão argumenta que, antes de impor uma restrição total, é indispensável comprovar interesse público, urgência e ausência de alternativas. Por isso, o grupo defende que o Estado utilize instrumentos de preservação já existentes, fortaleça as áreas protegidas atuais, crie planos de manejo integrados à produção local e invista em educação ambiental e turismo ecológico, em vez de simplesmente transformar a região em parque nacional.

Parlamento

O presidente da Alesc, deputado Júlio Garcia, receberá a pauta e ouvirá a bancada do Norte catarinense. A expectativa dos representantes é que o dossiê seja levado em conta nas discussões federais, especialmente no ICMBio, órgão responsável pela proposta.

João Nilson ressaltou que a mobilização popular é forte e crescente. “A população não apoia a criação do parque. Ela quer continuar cuidando da terra, preservando o meio ambiente e mantendo seu modo de vida. O que pedimos é respeito à nossa história e à nossa capacidade de conservar o que é nosso”, concluiu.

Os passos

A luta agora segue em duas frentes: no Legislativo estadual, pressionando pela articulação política, e na sociedade, fortalecendo a mobilização contra uma decisão que, se imposta sem diálogo, pode desestruturar comunidades inteiras. Para os moradores do Quiriri-Aracatuba, preservar não é sinônimo de expulsar, mas sinônimo de conviver.

Foto: Divulgação

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O Jornaleiro

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