OPINIÃO: quando o “extra” chama atenção
“Na Câmara de Vereadores de São Bento do Sul, a inovação administrativa chegou com força total. Não, não é transparência, eficiência ou economia — isso fica pra próxima legislatura. A grande revolução mesmo foi descobrir que servidor público agora merece bônus por fazer exatamente aquilo que já é pago pra fazer.
O contador da casa, por exemplo, recebe uma simpática gratificação de R$ 3.800,00 para… segure-se na cadeira… assinar a contabilidade. Sim, aquela mesma atividade que, por um detalhe quase irrelevante, consta na descrição do cargo para o qual ele prestou concurso. Mas veja bem, assinar cansa. Às vezes exige até caneta azul.
Somando salário, gratificação e outros penduricalhos que brotam mais rápido que mato em terreno abandonado, o nobre profissional ultrapassa a modesta marca dos R$ 17 mil mensais pagos pelo contribuinte. Um verdadeiro case de sucesso da engenharia financeira criativa — ou seria generosidade institucional?
Seguindo essa lógica visionária, já fica a sugestão: gratificação pro professor que dá aula (atividade claramente opcional), pro médico que atende paciente (um plus pela boa vontade) e pro advogado que faz petição (afinal, ninguém é obrigado a trabalhar de graça dentro do próprio salário).
É o novo modelo de gestão pública: você ganha pra estar no cargo… e ganha mais ainda pra exercer o cargo. Um sistema tão eficiente que, se fosse aplicado na iniciativa privada, levaria qualquer empresa direto para o museu da falência.
Mas calma, não é privilégio — é “valorização do servidor”. E quem ousar questionar talvez não tenha entendido a complexidade técnica de segurar uma caneta e assinar documentos.
No fim das contas, a atual legislatura conseguiu um feito raro: transformar o óbvio em extraordinário e o absurdo em rotina. E o contribuinte? Ah, esse segue patrocinando o espetáculo — sem direito a aplauso, só à conta.”
Autor: Herr Otto Schaps-Um são-bentense indignado






